Portugal registou em 2025 um total de 18.496 raios nuvem-solo, num ano marcado por uma atividade elétrica globalmente baixa, em linha com a tendência europeia, mas com episódios localizados de elevada intensidade, segundo o Relatório de queda de raios 2025 – Europa / Portugal, da Meteorage.
De acordo com o documento, 2025 foi o ano com menor atividade de queda de raios na Europa desde o início dos registos da Meteorage, em 1989, com cerca de 1,226 milhões de descargas nuvem-solo detetadas no continente. Apesar disso, Portugal surgiu como o sexto país mais atingido, refletindo a ocorrência de fenómenos concentrados no tempo e no espaço.
O relatório destaca o outono de 2025, em particular o mês de novembro, como o período mais relevante do ano em Portugal. Nesse mês foram registados cerca de 8.300 raios nuvem-solo, um novo recorde absoluto para novembro, associado à sucessão de sistemas depressionários que atravessaram o território. O dia 5 de novembro foi um dos mais afetados dos últimos anos, com 5.608 raios detetados, representando mais de um quarto da atividade anual no país
Em termos geográficos, os distritos mais afetados em número absoluto de raios foram Santarém, Castelo Branco e Beja, enquanto, considerando a densidade de queda de raios, os valores mais elevados registaram-se em Santarém, Lisboa e Castelo Branco. Ao nível municipal, destacaram-se Castelo Branco e Chamusca, entre os concelhos com maior número de descargas nuvem-solo ao longo do ano.
A Meteorage sublinha que a baixa atividade global não equivale a baixo risco, alertando que mesmo tempestades moderadas podem provocar danos em infraestruturas, interrupções de serviços, perdas económicas e riscos para a vida humana. O relatório refere ainda acidentes associados à queda de raios em vários setores, incluindo energia, transportes, indústria, agricultura e ambiente, com registo de incêndios florestais desencadeados por descargas elétricas, nomeadamente em Portugal.
Segundo os especialistas da Meteorage, a análise de vários anos aponta para um prolongamento da temporada de tempestades e um deslocamento gradual da atividade para norte, reforçando a necessidade de vigilância permanente e de medidas de prevenção ao longo de todo o ano.
























