A endometriose poderá afetar até 400 mil mulheres em Portugal, continuando a ser diagnosticada tardiamente em muitos casos, com consequências significativas na qualidade de vida, fertilidade e atividade profissional, alertaram hoje a Associação MulherEndo e a empresa Agilcare.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta cerca de 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo, sendo considerada uma patologia crónica e frequentemente progressiva.
Em Portugal, as entidades referem que persistem dificuldades no acesso a cuidados especializados no Serviço Nacional de Saúde (SNS), nomeadamente ao nível da disponibilidade de consultas diferenciadas e da articulação entre os vários níveis de cuidados, fatores que contribuem para atrasos no diagnóstico e no início do tratamento.
Perante estas limitações, muitas mulheres recorrem ao setor privado para acelerar o acesso a consultas, exames e meios complementares de diagnóstico. De acordo com a informação divulgada, os custos associados às análises e exames necessários ao diagnóstico e acompanhamento da doença podem começar em cerca de 700 euros, aumentando em função da complexidade de cada situação clínica e da necessidade de seguimento continuado.
A escassez de consultas especializadas dedicadas à endometriose, os tempos de espera para observação hospitalar e as dificuldades em garantir um acompanhamento integrado continuam a ser apontados como obstáculos relevantes ao diagnóstico precoce.
Segundo a Associação MulherEndo, esta realidade faz com que muitas mulheres enfrentem percursos clínicos prolongados durante vários anos antes de obterem um diagnóstico definitivo.
“Receber o diagnóstico foi um alívio. Durante anos vivi com dor incapacitante e sem respostas. Finalmente percebi que aquilo que sentia tinha uma explicação e que não era algo que estava apenas na minha cabeça”, afirmou Susana Fonseca, presidente e fundadora da associação.
Também Elsa Sanches, diretora-geral da Agilcare, defendeu a necessidade de reduzir os atrasos no diagnóstico da doença.
“A endometriose continua a roubar anos às mulheres portuguesas. Rouba tempo até ao diagnóstico, tempo de qualidade de vida, tempo nos projetos familiares e, muitas vezes, tempo precioso para concretizar o desejo de ser mãe”, afirmou.
Neste contexto, a Agilcare e a Associação MulherEndo anunciaram o desenvolvimento de um trabalho conjunto destinado a identificar necessidades concretas das mulheres com endometriose e a encontrar soluções que facilitem o acesso aos cuidados de saúde.
No âmbito desta colaboração, está prevista a disponibilização de condições mais favoráveis no acesso a análises clínicas, exames de diagnóstico e outros serviços frequentemente necessários ao acompanhamento da doença.
As duas entidades afirmam que o objetivo passa por reduzir o impacto económico associado à endometriose e promover um acesso mais rápido, contínuo e equitativo aos cuidados de saúde para as mulheres afetadas.
























