Biofertilizantes, bioquímicos, novos materiais reciclados e ecológicos à base de madeira, soluções inovadoras de eco-design de mobiliário, equipamentos florestais com reduzida emissão de carbono, serviços especializados de apoio à gestão florestal, serviços baseados em dados para apoio à decisão, plataformas digitais e hubs de formação para o setor florestal, moldes para embalagens sustentáveis e biodegradáveis, processos industriais e logísticos ecológicos e eficientes e soluções para a valorização das cadeias de valor de produtos florestais não lenhosos são os grandes resultados de uma Agenda que mobilizou 56 parceiros.
O transForm ReachOut Event assinalou o término da execução de uma das mais abrangentes iniciativas nacionais de inovação colaborativa dedicada às cadeias de valor do setor florestal. Liderada pela Altri Florestal e com coordenação técnico-científica do CoLAB ForestWISE, a Agenda mobilizou 56 parceiros e 30 projetos colaborativos, organizados em seis eixos de atuação, num esforço sem precedentes, com o objetivo de contribuir para uma transformação estrutural do setor assente na inovação, digitalização, circularidade, descarbonização, sustentabilidade e capacitação.
A sessão de abertura contou com as intervenções de Hugo Moreira Luís, Presidente da Câmara Municipal de Mafra, Miguel Silveira, Administrador da Altri Florestal (Coordenação da Agenda), e de Rui Ladeira, Secretário de Estado das Florestas:
Hugo Moreira Luís, Presidente da Câmara Municipal de Mafra, afirmou que«atecnologia só tem valor real quando ajuda a conhecer melhor o território, a mitigar riscos e a gerir os recursos com maior eficácia. A floresta faz parte integrante do nosso território e a responsabilidade de acompanhar a sua gestão relaciona-se diretamente com a segurança das populações, com o ordenamento do território, com a proteção dos recursos naturais e com a atividade económica. Precisamos, por isso, de ferramentas que apoiem decisões informadas e de uma articulação próxima entre a Administração Central, as autarquias, os proprietários, as empresas e as entidades científicas.»
Miguel Silveira, Administrador daAltri Florestal, sublinhou que a Agenda transForm partiu da floresta e que esta deve continuar a ser o ponto de partida enquanto recurso natural, fonte de rendimento, base de cadeias de valor e instrumento de coesão territorial, sendo também indispensável para dar resposta às alterações climáticas. O Administrador da Altri Florestal afirmou ainda que poucos temas teriam a facilidade de alinhar empresas e universidades à procura de soluções, mas a floresta conseguiu fazê-lo, havendo por isso a responsabilidade de dar continuidade às soluções desenvolvidas e preservar esta rede de cooperação.
O Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, afirmou que a Agenda transForm produziu não apenas conhecimento, mas processos, produtos e serviços mais inovadores para a aplicação florestal. Enfatizou a criação de uma rede de cooperação essencial e de confiança que uniu empresas, universidades, associações e a Administração Pública para que a investigação aplicada passe verdadeiramente da teoria para o terreno. Acrescentou que esta ligação foi a chave para garantir uma aplicação mais eficiente dos recursos e uma implementação rápida de soluções no aumento da produtividade e na gestão dos ecossistemas. «Totalmente alinhada com a estratégia do país e da União Europeia, esta capacidade de inovar em conjunto mostra-nos o caminho para o nosso grande objetivo que é deixar às próximas gerações, uma florestageradora de mais riqueza, mais resiliência, mais sustentabilidade e maior competitividade».
O impacto da Agenda transForm
Mais do que a concretização física e financeira dos investimentos, a análise do impacto coloca o foco na capacidade dos resultados desenvolvidos chegarem ao mercado, gerarem novo conhecimento e tecnologia e produzirem benefícios económicos, ambientais e sociais para além do período de execução da Agenda.
Neste sentido, Pedro Dominguinhos, Presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, destacou três resultados fundamentais da Agenda transForm: «Primeiro, a criação de um ecossistema de partilha de informação que gerou uma verdadeira escola de confiança entre empresas e instituições; segundo, a capacidade de aproximar o conhecimento científico das soluções operacionais e tecnológicas no terreno; e terceiro, a passagem da fase de demonstração para a integração, garantindo que o valor económico destas soluções chega efetivamente às pequenas e médias empresas e aos produtores. Contudo, o fim do financiamento não pode significar o encerramento da inovação tecnológica. A verdadeira transformação começa agora.»
11 Novos Produtos, Processos e Serviços
Um dos momentos centrais do encontro foi o roteiro pelos 11 Produtos, Processos e Serviços desenvolvidos pela Agenda transForm, que permitiu conhecer os 68 resultados alcançados e o seu potencial de aplicação em diferentes etapas da cadeia de valor.
No domínio dos biomateriais e bioprodutos, foram apresentados biofertilizantes com potencial para substituir ou complementar fertilizantes organominerais; processos de biorrefinaria para obtenção de ácido acético e furfural a partir de fontes renováveis; materiais reciclados e ecológicos à base de madeira, incluindo painéis de fibras e outros produtos com elevada incorporação de resíduos de madeira; soluções de eco-design de mobiliário; e uma nova geração de máquinas e alfaias florestais destinada a automatizar operações e reduzir emissões de carbono.
Na área dos serviços, os resultados incluem soluções especializadas de apoio à gestão florestal sustentável e à aplicação de boas práticas de silvicultura; serviços baseados em dados e cartografia para melhorar o planeamento e a tomada de decisão no setor e o 4HUB, que integra plataformas digitais e hubs de formação direcionados para o setor florestal.
Foram igualmente apresentados resultados ao nível dos processos eco-eficientes, nomeadamente moldes personalizados para embalagens sustentáveis e biodegradáveis produzidos a partir de matérias-primas de base biológica; soluções, equipamentos e serviços destinados à valorização das cadeias de produtos florestais não lenhosos; e processos industriais e logísticos mais ecológicos e eficientes, assentes em práticas de economia circular.
A diversidade dos resultados evidencia a abrangência da Agenda transForm, que atua desde a produção e gestão florestal à transformação industrial, valorização de recursos, digitalização, capacitação e ligação aos mercados.
Da inovação ao impacto na floresta e na sociedade
Os resultados desta Agenda Mobilizadora procuram responder a desafios que atravessam todo o setor: gerir melhor a floresta, utilizar os recursos de forma mais eficiente, reduzir emissões e reforçar a circularidade, melhorar a tomada de decisão e criar oportunidades de valorização económica dos recursos florestais.
Na floresta, as novas ferramentas de dados, cartografia e apoio à decisão podem melhorar o planeamento e a gestão, enquanto os serviços especializados e as soluções de mecanização procuram tornar as operações mais eficientes e sustentáveis. A valorização dos produtos florestais não lenhosos abre também novas possibilidades de rendimento e de diversificação das cadeias de valor associadas aos territórios florestais.
Na bioeconomia circular, a incorporação de resíduos de madeira em novos materiais, a valorização de subprodutos da indústria da pasta e do papel na produção de fertilizantes, o desenvolvimento de bioquímicos a partir de fontes renováveis e a utilização de matérias-primas de base biológica em embalagens apontam novas formas de reduzir desperdícios e aumentar o valor obtido a partir dos recursos disponíveis.
Para a indústria, os novos processos, equipamentos e soluções digitais procuram aumentar a eficiência, reduzir a pegada carbónica e favorecer a utilização mais eficiente de materiais e energia. A criação de produtos com novas características e aplicações pode também abrir oportunidades de diferenciação e de acesso a novos mercados.
Este impacto estende-se aos territórios e à sociedade. Uma floresta bem gerida, cadeias de valor diversificadas e empresas com maior capacidade de inovação podem contribuir para gerar emprego qualificado, eficiência e competitividade e maior valorização dos recursos florestais, enquanto aumentam a disponibilidade de produtos e processos com menor impacto ambiental.
O futuro dos resultados da Agenda transForm
O encontro proporcionou também “Conversas sobre o impacto e o futuro dos resultados da Agenda transForm” reunindo diferentes perspetivas de empresas, academia e entidades públicas sobre a próxima etapa: a adoção, valorização e continuidade dos Produtos, Processos e Serviços desenvolvidos. O debate focou-se na aplicação dos resultados às empresas, ao mercado e aos territórios, nas oportunidades de continuidade da investigação e inovação e na capacidade das relações de cooperação criadas entre os parceiros continuarem a gerar novos projetos e soluções. Este painel contou ainda com as intervenções de Nuno Gonçalves, Vice-Presidente do Conselho Diretivo do IAPMEI e de António Malta-Reis, Conselheiro Económico da Representação da Comissão Europeia em Portugal.
Nuno Gonçalves, Vice-Presidente do Conselho Diretivo do IAPMEI, referiu que agora o desafio é valorizar o conhecimento e a inovação que as empresas e o sistema científico e tecnológico produziram na Agenda transForm. Sobre os resultados, destacou também as mais de 12 patentes registadas. Por fim, considerou que as Agendas Mobilizadoras foram a melhor rampa de lançamento que o país poderia ter para o próximo quadro financeiro plurianual da Comissão Europeia (2028-2034), que será muito exigente em termos de inovação e privilegiará projetos com uma forte componente colaborativa.
António Malta-Reis, Conselheiro Económico da Representação da Comissão Europeia em Portugal, referiu que «em Portugal, o grande desafio é reduzir estruturalmente a fragmentação do setor e a vulnerabilidade do território, devendo transitar-se de uma abordagem centrada no combate aos incêndios para uma maior aposta na prevenção e, assim, transformar os custos de gestão florestal em oportunidades para a valorização económica. É neste contexto que o PRR e as Agendas Mobilizadoras assumem uma importância estratégica e a Agenda transForm destaca-se precisamente por ligar a gestão à tecnologia, à logística, à indústria e aos mercados, e por promover a circularidade e neutralidade carbónica, aliando a valorização económica do setor florestal a metas claras de redução das emissões de gases com efeito de estufa.»
No encerramento, Luís Rochartre, Chief Tecnology Officer do CoLAB ForestWISE, afirmou que «para o CoLAB ForestWISE, coordenar técnica e cientificamente uma Agenda desta dimensão representa precisamente aquilo que está no centro da sua missão: reunir competências, aproximar ciência e empresas e criar condições para que o conhecimento se traduza em soluções com aplicação concreta. O verdadeiro impacto da Agenda transForm mede-se agora também pela capacidade destes resultados continuarem a evoluir, chegarem ao mercado e ao território e gerarem valor para a floresta e para a sociedade».
Por sua vez, Fernando Alfaiate, Presidente da Estrutura de Missão Recuperar Portugal, indicou que: «As Agendas Mobilizadoras representam uma profunda mudança de paradigma na política de inovação empresarial. A Agenda transForm é um exemplo concreto e de grande impacto desta aposta, tendo ultrapassado as metas propostas. O verdadeiro impacto económico do PRR não se esgota na despesa financeira, mas prolonga-se na capacidade produtiva instalada, na qualificação, no emprego e no crescimento potencial da economia.»
No fecho dos trabalhos, João Rui Ferreira, Secretário de Estado da Economia, afirmou, que «a grande missão da nossa estratégia económica é transformar conhecimento em inovação, e inovação em valor acrescentado retido no nosso país. A Agenda transForm conseguiu concretizar esta visão de forma ímpar: destaco a circularidade assumida não apenas como reciclagem, mas como motor de criação de nova riqueza a partir de subprodutos, e a profunda transformação tecnológica e digital de operações que há poucos anos pareciam impossíveis. O setor florestal é, hoje, um exemplo excecional da promoção tecnológica e exportadora de Portugal, incorporando inovação à escala mundial em novos produtos de MDF, materiais têxteis, resina e novas aplicações para a pasta de papel.»
Com o fim da fase de execução, o desafio da Agenda transForm passa agora pela implementação dos planos de valorização e exploração dos resultados definidos durante a Agenda, com uma ampla adoção pelo tecido empresarial e pela continuidade das relações de cooperação estabelecidas entre os 56 parceiros. Como foi referido ao longo do dia, é nesta passagem do desenvolvimento para a aplicação que se determinará grande parte do impacto económico, ambiental e social desta Agenda Mobilizadora nos próximos anos.
A sessão de abertura contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Mafra, Hugo Moreira Luís, do administrador da Altri Florestal, Miguel Silveira, e do secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira.
No encontro foi também destacado o desenvolvimento de mais de 12 patentes. Com o fim da execução da Agenda, o desafio passa agora pela aplicação dos resultados nas empresas e no mercado, dando continuidade à cooperação estabelecida entre os parceiros.
























